Brasil e exterior. Uma visão de conjunto.Conheça a proposta da plataforma ↗
Converse com a Veritum

Patrimônio e sucessão

Family office: o que é, como funciona e quando faz sentido no Brasil

O que é family office, a diferença entre single e multi family office, o que ele faz além de investimentos, regras da CVM e quando a família precisa de um.

Autoria: Equipe Veritum

Publicado em

Assessor apresentando planejamento a um casal em casa
Imagem de capa.

"Family office" é hoje um termo mais buscado no Brasil do que "holding familiar", segundo a comparação relativa do Google Trends. As buscas misturam curiosidade (o que é), nomes de instituições financeiras e vagas de emprego. Para a família empresária, a pergunta útil é outra: o que um family office faz que um banco, um contador e um advogado, separados, não fazem?

O que é family office

Family office é a estrutura que organiza e coordena o patrimônio e os assuntos financeiros de uma família de forma centralizada. A palavra descreve uma função, não um tipo jurídico: não existe "sociedade family office" no Código Civil. Na prática, ele pode ser:

  • um time próprio, dentro de uma empresa ou holding da família (single family office);
  • um prestador que atende várias famílias (multi family office);
  • um modelo híbrido, com coordenação interna e especialistas contratados.

O que um family office faz (além de investir)

Investimentos são a parte mais visível, mas a função central é a coordenação. Um family office bem desenhado costuma cuidar de:

  1. Consolidação patrimonial: uma visão única de empresas, imóveis, aplicações no Brasil e no exterior, dívidas e garantias.
  2. Governança familiar: regras de decisão, protocolo familiar, conselhos e preparação da próxima geração. Veja holding familiar em 2026: governança e sucessão.
  3. Estrutura societária: holdings, acordos de sócios e organização das participações.
  4. Tributos e obrigações: declarações da família e das empresas, tributação de lucros e dividendos, regras de investimentos no exterior.
  5. Sucessão: planejamento de doações, testamentos e efeitos do ITCMD.
  6. Supervisão de prestadores: gestores, bancos, advogados e contadores trabalhando com o mesmo mapa.
  7. Relatórios: informação periódica, comparável e auditável para a família.

Single family office x multi family office

Single family officeMulti family office
AtendeUma famíliaVárias famílias
EstruturaEquipe própria, geralmente dentro da holdingPrestador externo
CustoFixo e mais altoCompartilhado, por contrato
ControleTotal da famíliaDefinido no contrato
Quando costuma fazer sentidoPatrimônio grande e complexo, várias empresas e geraçõesFamílias que querem coordenação profissional sem montar equipe

Não há um patamar de patrimônio definido em lei para "precisar" de um family office. A decisão depende de complexidade: número de empresas e de herdeiros, ativos no exterior, conflitos e frequência de decisões.

O que a regulação diz: atenção à CVM

Aqui está o ponto que mais gera confusão. Pela Resolução CVM nº 21/2021, a administração de carteiras de valores mobiliários é atividade privativa de pessoa autorizada pela CVM (art. 2º), e consiste no exercício profissional de atividades ligadas ao funcionamento, manutenção e gestão de uma carteira de valores mobiliários, incluindo aplicar recursos por conta do investidor (art. 1º).

Na prática, se o family office vai decidir e executar investimentos em valores mobiliários de forma profissional para terceiros, é preciso verificar a necessidade de registro na CVM ou contratar um gestor autorizado. Funções de coordenação, consolidação de informações, governança e contabilidade não se confundem com gestão de carteira. A fronteira deve ser analisada caso a caso.

Family office e holding familiar: qual a diferença

São coisas diferentes que costumam andar juntas:

  • A holding é uma sociedade que detém bens e participações (o "onde o patrimônio está").
  • O family office é a estrutura de gestão e coordenação (o "quem cuida e como decide").

Muitas famílias começam pela holding e, quando a complexidade aumenta, criam um family office para operá-la. Para entender a holding em si, veja holding patrimonial: como fazer e as decisões de doar quotas agora ou esperar.

Tributos que entram na agenda de um family office em 2026

Sem prometer economia, alguns temas recentes mudam as contas da família:

  • Investimentos e empresas no exterior: a Lei nº 14.754/2023 passou a tributar anualmente rendimentos de aplicações financeiras no exterior e, em certas hipóteses, lucros de entidades controladas, com alíquota de 15% no ajuste anual (art. 2º, § 1º). Veja o checklist offshore.
  • Lucros e dividendos: a Lei nº 15.270/2025 incluiu na Lei nº 9.250/1995 a retenção de 10% sobre lucros e dividendos acima de R$ 50 mil por mês pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa física (art. 6º-A), além da tributação mínima da alta renda. Detalhes em IRPFM 2026.
  • ITCMD: a LC 227/2026 trouxe regras novas para doações e bens no exterior. Veja ITCMD sobre bens no exterior.

Indicadores de que a família já precisa de coordenação

  • Ninguém consegue dizer, em uma página, quanto a família tem, onde e em nome de quem.
  • Cada prestador trabalha com uma versão diferente dos números.
  • Decisões importantes dependem de uma só pessoa, sem registro.
  • Há herdeiros com papéis e expectativas diferentes e nenhum fórum para discuti-los.
  • Existem ativos no exterior sem rotina clara de declaração.

Se três ou mais desses sinais aparecem, vale começar pelo inventário e pela governança, antes de discutir o formato do family office.

Riscos e cuidados

  • Concentração de poder: sem governança, o family office vira uma extensão de uma só pessoa.
  • Conflito de interesse: remuneração ligada a produtos financeiros merece transparência.
  • Substância: estruturas sem propósito e sem operação real são questionadas pelo Fisco. Veja o que o CARF tem dito sobre holding e substância.
  • Custo fixo: um single family office mal dimensionado pode custar mais do que agrega.

Como estruturar um family office: roteiro em etapas

  1. Inventário: listar todos os ativos, empresas, dívidas, contratos e prestadores da família.
  2. Objetivos: separar o que é preservação, crescimento, renda e sucessão.
  3. Governança: definir quem decide o quê, com que frequência e com que informação.
  4. Estrutura: escolher entre equipe própria, prestador externo ou modelo híbrido, e verificar o que exige registro regulatório.
  5. Rotina: relatórios periódicos, calendário de obrigações e revisão anual da estrutura.

Perguntas frequentes

Family office é um banco? Não. Bancos e plataformas podem oferecer serviços com esse nome, mas family office é uma função de coordenação patrimonial que pode ser interna da família ou contratada.

Família com uma só empresa precisa de family office? Nem sempre. Muitas vezes uma holding bem organizada, contabilidade integrada e um conselho consultivo resolvem. O family office faz mais sentido quando há múltiplas empresas, gerações e ativos.

Family office precisa de registro na CVM? Se fizer gestão profissional de carteira de valores mobiliários de terceiros, sim, em regra (Resolução CVM 21/2021). Atividades de coordenação, governança e contabilidade não exigem esse registro por si só.

Qual a diferença entre single e multi family office? O single atende uma família com equipe própria; o multi atende várias famílias como prestador.

Guias básicos da Veritum: Simples Nacional: o que é e como funciona, contabilidade para empresas, como abrir uma empresa, contrato social, holding: o que é e tipos, como abrir uma LLC nos EUA e estruturação de empresas.

Onde a Veritum entra

A Veritum atua na parte de coordenação que não é gestão de carteira: estrutura societária, holding, contabilidade consolidada, tributos, governança e sucessão. Conheça patrimônio e sucessão.

Fontes

Fontes consultadas