Duas operações anunciadas em 03/11/2026 mostram que a consolidação na gestão de patrimônio continua:
- Portofino e Est: segundo o Valor Econômico, a Portofino Multi Family Office, com mais de R$ 40 bilhões sob gestão, incorpora a equipe da Est, que administra cerca de R$ 5 bilhões. Os fundadores da Est (Deiwes Rubira, Gilberto Cesar Filho e Marcelo Bresser Pereira) viram sócios da Portofino. A CEO, Carolina Giovanella, disse ao jornal que o modelo é de remuneração fixa (fee based) e que os clientes continuam atendidos pelos mesmos profissionais.
- Ável e Westlink: também segundo o Valor, a Ável, escritório parceiro da XP com R$ 17 bilhões sob custódia, adquiriu a Westlink Capital, de São José do Rio Preto (SP), especializada em clientes pessoa jurídica. Os valores não foram divulgados.
Não encontramos comunicados das empresas além das reportagens. Os números acima são os informados ao jornal.
Para a família investidora, a pergunta não é se a operação é boa para os sócios da gestora. É o que muda na relação com quem cuida do patrimônio. Se você ainda está estruturando essa relação, comece por o que é e como funciona um family office.
Por que isso importa para a família
Na prática, a família costuma contratar pessoas, não marcas. Quando a gestora muda de dono, podem mudar:
- a equipe que atende (saídas costumam acontecer meses depois);
- a forma de remuneração (taxa fixa sobre patrimônio, comissão por produto, performance);
- a plataforma de custódia e de investimento;
- os produtos oferecidos, inclusive da casa;
- as políticas internas de risco, compliance e conflito de interesses.
Nenhuma dessas mudanças é necessariamente ruim. O problema é descobrir depois.
Checklist de revisão em 60 dias
Contrato
- Quem é a parte contratada depois da operação? Houve cessão do contrato?
- Existe cláusula de mudança de controle (change of control) que permita rescindir sem multa?
- Qual é o aviso prévio para encerrar, e há custos de saída?
Remuneração e conflitos
- A taxa continua a mesma? O modelo segue fee based ou passa a incluir rebates e comissões?
- A nova casa tem produtos próprios? Como a gestora trata o conflito ao recomendá-los?
- A família recebe relatório consolidado com todos os custos, inclusive os embutidos nos fundos?
Custódia e portabilidade
- Os ativos estão em nome da família, em custodiante independente, ou dentro de estruturas da gestora?
- Quanto tempo e quanto custa transferir a carteira se a família decidir sair?
- Há ativos no exterior? Quem é o custodiante lá e quem tem acesso?
Governança da família
- Quem na família acompanha a relação e com que frequência?
- Existe uma política de investimentos escrita, aprovada pela família, que a gestora precisa seguir?
- As informações patrimoniais usadas na contabilidade da holding batem com os relatórios da gestora?
Exemplo hipotético: uma família com R$ 80 milhões dividida entre uma gestora e um banco recebe aviso de que a gestora foi incorporada. Antes de qualquer decisão, ela pede o novo contrato, confirma que a custódia segue no mesmo custodiante e agenda uma reunião com a equipe que a atende. Se a remuneração mudar de modelo ou o gestor sair, a família tem os dados para decidir em semanas, e não em meses.
Relação com a estrutura patrimonial
Muitas famílias investem por meio de holding ou de fundos. A troca de gestor pode afetar:
- a contabilidade da holding (marcação, relatórios, conciliação);
- a distribuição de lucros aos sócios e o novo regime de retenção, tratado em dividendos no fim de 2026;
- obrigações de diligência sobre terceiros, tema de compliance e due diligence de terceiros.
Onde a Veritum entra
Ajudamos famílias a organizar a governança patrimonial, revisar contratos com gestores e manter a contabilidade da holding conciliada com os relatórios de investimento. Conheça o serviço de patrimônio e sucessão.
Conteúdo informativo; não substitui análise individualizada.

